sampa (mas é proibido citar “sampa”, do caetano)

Faz calor nessa terra. E o calor daqui não admite negociações. Vc tira o casaco. Continua calor. Pára de andar. Continua calor. Vai para a sombra. Continua, continua… E nessa hora vc entende porque os paulistas andam de casaco no calor, embaixo do sol. Porque dá na mesma.

Jantares em restaurantes legais, steak tartar feito na hora na própria mesa, na frente dos olhos arregalados de Vera e Márcio (os da Vera mais que os do Marcio), quiche ao lado de azulejos fofos na iminência da chegada de Fernanda Young. Não, ninguém chegou, eu tive um ataque de foto-freak (depois coloco aqui as fotos do LP da Brigite Bardot e fofuras similares) e ficou tudo por isso mesmo.

Compromisso.

E eu resolvo ir ao compromisso a pé. Chove. Não, eu não levei quarda-chuva. Mas eu também não admito negociações. Coloco o casaco na cabeça para o cabelo não ficar ridículo e sigo. Não sei muito bem o caminho mas sigo. Tenho um pombo dentro da minha cabeça que me faz chegar nos lugares pelo cheiro. Me solte no centro do Rio e observe. Vou fazer o caminho mais estranho, mais complicado, mas vou chegar, direitinho, no ponto esperado. Claro, sem levar o endereço.
É claro que eu cheguei na rua certa e não tinha levado o número anotado em lugar nenhum. E perguntei, e fui, voltei, a chuva apertou, portaria errada, portaria certa, o segurança olha na minha cara e manda: “Primeiro passou direto, voltou e acabou achando o lugar certo, né?”.
Pois é, pois é…
Motoristas me piropeam, seguranças me zoam. Devo estar me tornando uma pessoa com uma cara simpática. Ainda não me pedem informações na rua, mas um dia chego lá.

No meio de tanto andar e pegar chuva, e colocar casaco na cabeça, e dar voltas, e achar que estava perdida mas não estava, e de chegar lá na hora - cinco minutos antes, para falar a verdade, é claro que tive bastante tempo para pensar.

Acho que o pombo que vive na minha cabeça é meio enrolado. Todos os pombos da minha cabeça são meio enrolados. É por isso que faço tudo pelo caminho mais complicado, mais demorado, mas no final das contas as coisas vão dando certo. Tem gente por aí, muita gente, que vai pelas retas. Eu vou pelos meus caminhos.
Acho que faço isso para tudo na minha vida.

5 Responses to “sampa (mas é proibido citar “sampa”, do caetano)”

  1. Ivan Says:

    Para pensar:
    Toda reta é uma curva de raio infinito.
    E que seus pombos não caguem na minha cabeça.

  2. giosimi Says:

    não concordo que sempre o contraste deve facilitar a leitura não.
    mas concordo que meu monitor deve estar com problema.
    estou acessando da maquina do meu irmão..e realmente esta preto e cinza.
    será que é diferença entre pc e mac?
    ou será que o destino do meu monitor é o lixo mesmo?

  3. Szundy Says:

    O pombo sempre acha seu caminho e quem só anda em linha reta, quando topar com uma curva não vai saber o que fazer.

    Concordo com o giosimi. O contraste entre o fundo e o texto podia facilitar um pouco a vida dos seus leitores. Giosimi acho que está na hora de você trocar seu monitor. O fundo é preto e o texto é cinza (a autora entrou em fase sobria).

  4. Unblogged Says:

    Piropeam?!? Palavras simples, 3 acordes, por favor. Ou nem isso, só a batida.

    Segurança não zoou, ele apenas quis dizer que reparou em vc… Simples, mas não direto.

    E o de baixo acha que o conteúdo é mais importante que a estética. Dê o fotolog? Chega de escrever!!

    Uma palavra escrita é uma palavra não-dita, é uma palavra maldita. Ou outra ordem, sei lá, qq coisa assim, vão vcs procurar, é do Chacal.

  5. giosimi Says:

    outro dia eu te vi,
    era uma tarde de sol na barra…uma sexta…provavelmente algum dia em que vc não trabalou.
    legal o novo visual do site.
    só não consigo ler nada.
    essa cor de fundo é mesmo meio verde..com a fonte levemente azulada?
    vc não poderia considerar a possibilidade de aumentar o contraste?…de repente colocar a fonte branca mesmo…não vai perder muito esteticamente….e assim, eu vou poder continuar lendo seus textos.

    beijo.,