++ a ressurreição ++
Já tinha passado um ano. Um ano e dois meses. Ele finalmente conseguia sair da depressão, finalmente conseguia se sentir feliz. De vez em quando. Todo o resto do tempo batia uma sensação ruim, mas nada que se comparasse ao inferno de junho passado. Nem de longe.
Afinal, tinham sido 4 anos. Ela era a mulher da vida dele, que ia ter os filhos dele, ia dar comida para o cachorro dele.
Mas não foi. Nada foi assim, ela foi embora, casou com o chefe, largou o cachorro dele, e ele teve que se virar para convencer a vizinha a dar comida para o bicho quando ele estivesse fora. A vida era uma merda.
Um ano e dois meses depois, a vida estava um pouco melhor. Quer dizer, a vida ainda era uma merda, mas ele estava um pouco melhor. Ela engravidou, teve um filho, se mudou, foi para Nova York, virou garçonete, o marido foi embora. Ele riu, riu muito quando soube. Ficou feliz, daquela felicidade que só as pessoas arrasadas, na merda, são capazes de sentir.
Isso tinha sido seis meses atrás. Agora ele quase não sabia mais dela. Sabia só que estava ralando. Muito. Ele continuava apaixonado. Daquela paixão que só as pessoas com muito ódio de alguém são capazes de sentir.
Nesse ano e dois meses ele tinha se levantado (aos poucos), trabalhado, namorado três outras pessoas, ficado com outras infinitas, bebido mais do que era capaz de calcular, experimentado algumas substâncias que ele jamais saberia a fórmula ou a procedência.
E finalmente ela, ELA, a única em caixa alta, tinha passado.
E quando ele finalmente achou que estava bem, se permitiu lembrar das coisas boas que tinha vivido com ela. Quero dizer, ELA.
E pensou. E pensou tanto, que sentia. Sentia a pele dela, sentia os lugares, os cheiros, tudo. E descobriu o endereço dela. E foi até Nova Iorque.
E foi até lá pensando no último ano. Pensando em tudo o que tinha feito desde que ela tinha ido embora. Pensando no que tinha acontecido, em quem tinha namorado, nas mulheres que o tinham comido quando ele estava frágil e chapado pelos cantos. Tão frágil que tinha ligado no dia seguinte para todas elas.
E sabia exatamente o que fazer. Chegou em Nova Iorque, pegou um táxi, e mesmo sem entender uma palavra do que dizia o motorista (afinal, que lÃngua é essa que falam os motoristas de Nova Iorque? De que paÃs vêm os motoristas de Nova Iorque? De que planeta? Onde eles se multiplicam?). Chegou na rua.
Ela morava no segundo andar. Terceira janela. Ele sabia o que fazer. Num momento “um bonde chamado desejo”, começou a gritar:
- Stella!!!! Steeeella!!!!
A cena só não estava melhor porque não estava chovendo. Mas e da� Ele também não era Marlon Brando, então continuou a gritar. Stella apareceu na janela. E sorriu.
Entendeu os erros, entendeu que aquela era a sua segunda chance. Gritou o nome dele, feliz, em paz.
- Stella, eu vim até aqui para mandar você tomar no cu!
- ???
- Você tem noção de quantas barangas eu comi por sua causa??? Você acabou com a minha vida! Até aquela sua prima, de cabelo vermelho, até ela eu peguei! Eu bebi, eu não tava em condições, eu comi a sua prima! Ah! E a sua vizinha também! Namorei com ela, meu deus do céu!
- ??
- Stella, eu vim aqui para dizer que você acabou comigo! Que eu não consigo dormir pensando nas mulheres que você me fez comer! Eu estava triste, estava deprimido, eu até paguei o motel para elas! Isso não se faz com ninguém Stella, ninguém!!!
E foi embora. Ainda nervoso, o coração batendo forte, mas em paz. Foi procurar um hotel para passar o resto da semana. Afinal, ele tinha ido até ali especificamente para falar com Stella, mas aproveitou para tirar uma semana de férias.
Estava recuperado, tranqüilo, tinha dito tudo o que precisava ser dito, e ainda ia passar uma semana em Nova Iorque fazendo turismo. O que mais ele podia querer?
outubro 1st, 2003 at 8:31 pm
Naboa, não gostei do texto.
Pretensioso e igual a todos os aspirantes de escritores (principalmente de escritorAs) do Brasil.
Acho q essa estética pseudo cyberbeatnick cansa qqer um!!
Conselho: Tente ser original!!
PS: CrÃticas são crÃticas, sorry!! ;-)
outubro 2nd, 2003 at 12:35 pm
Hey Fred vai toma nu cu! Gostei do texto.. ri pacaralho!!
outubro 2nd, 2003 at 8:13 pm
Pretencioso foi, e pacaralho.
Porra!
Viva o Fred!
outubro 2nd, 2003 at 8:14 pm
Ah… mas mesmo assim foi um bom texto.
outubro 4th, 2003 at 11:01 pm
Muito bom! Quem nunca teve uma Stella em sua vida? Quem nunca sofreu por amor (ou pelo menos que achava que era por isso)? Quem nunca passou por isso que atire a primeira pedra.
outubro 9th, 2003 at 1:58 am
melhor se no final ele voltasse e dissesse: mas PORRA, ainda sim voce nao sai da minha cabeca!
viva manual carlos, viva eloisa!
outubro 22nd, 2003 at 10:27 pm
"nas mulheres que o tinham comido quando ele estava frágil e chapado pelos cantos"
"Você tem noção de quantas barangas eu comi por sua causa???"
Nunca, nunca mais escreva como um homem. Vc não entende nada. Homens nunca se sentem mal por terem comido alguém, mesmo que seja baranga. Eles só se sentem mal se catam uma baranga e não comem.