++ discutindo comigo mesma e com os outros ++
Meus amigos às vezes dizem tudo. E por isso eu cito eles aqui no blog, como voluntários da pátria. Aqueles que não eram voluntários coisa nenhuma.
Dessa vez foi a Bruna:
Manifesto contra textos-vômito
Às vezes me sinto como se fosse preciso subir mais um degrau.
Eu entendo que existem milhões de possibilidades conquistadas, de textos escritos, etc. Recebo emails, telefonemas e mensagens psicografadas de congratulações, mas só eu sei o quanto eu sou uma farsa. Ok, todo mundo acha que existe uma grande sabedoria em escrever vômito. Não existe não: escrever vômito é uma forma de se livrar do mal. De se livrar da úlcera. É uma terapia para quem não tem muito medo de se expor (mas, afinal de contas, a quem estou me expondo? Quem me conhece sabe tudo da minha vidinha. Eu sou transparente, não é isso? Eu não sei mentir. A única remanescente dos inocentes do planeta. Sou eu. Exemplar de colecionador).
Agora, quero ver escrever de verdade. Escrever sobre um mundo diferente, uma identidade diferente. Não sei: escrever como um homem, como uma criança, como um pássaro, como um avião. Mas não escrever mais em primeira pessoa. A esses seres quer conseguem criar, a eles eu faço uma reverência: parabéns. Vocês mentem bem, com estilo. Com graça. Saber mentir é talvez a habilidade mais necessária na humanidade.
Isso é mal de subliteratura de blog. Todo mundo faz diarinho travestido de palavras bonitas. Todo mundo tem pretensões literárias. Eu também tenho. Nunca escondi de ninguém - e, mesmo se tentasse, eu sou a menina transparente, se lembram? Aquela super heroína que foi banida da Sala da Justiça porque sem querer entregava todos os planos pro inimigo.
Chega. É hora de subir mais um degrau. Já provei pra mim e pra algumas pessoas que não acreditavam que isso aqui eu sei fazer. Mas agora é tempo de fazer melhor.
Só uma resposta, Bruninha: textos vômito têm seu valor. Mas só quando são loucamente bem escritos. Sim, eu tbm preciso subir um degrau. Eu preciso subir vários, não sei vc.
Para falar a verdade, eu to olhando a escada inteira, e às vezes acho que quem está lá em cima é a Barbara Potencial. E me dá vontade de pegar o elevador para descer. Mas isso é outra história. Isso é um texto vômito. Mas eu escrevo texto vômito. Nem sempre, mas às vezes. E escrevo em primeira pessoa, o que vale tanto quanto rimar verbo com verbo e “ão” com “ão”. Mas a vida é assim.
Eu acho.
setembro 30th, 2003 at 2:05 pm
ahhhhhhhhhhhh.
homenagem!!! hehehe.
Gosto dos SEUS texto-vômito, mas ando cansada dos meus… acho que estou me tornando repetitiva. E como disse um amigo meu, parece que todo os donos de blog cariocas são Bukowisks entediados…. Mas ninguém nunca entra na bagaceira de verdade: vomita sangue, cai na rua de bêbado, trepa por dinheiro. Antes que eu me torne um desses, um desses caras que se travestem de existencialistas, vou me bandear para a ficção. Isso é, se eu conseguir, né. To achando difícil pra caramba.