++ continuando… ++
Momento carioca-saudável, Barbara andando pelas ruas dos arredores de sua casa. Ando para caramba, é sábado e são duas da tarde. Até duas e meia. Eu estava num humor ótimo, que foi melhorando com endorfina que dá essas coisas de ficar fazendo exercício e tomando sol nas retinas.
E foi esse bom humor todo que me impediu de fazer a conta, correta e acachapante, de quantas pessoas vi pela rua. Entenda-se que eu moro num condomínio, na Barra, bairro que detesto desde 1985 mas isso todo mundo já sabe e eu não vou falar de novo. Antes de 85 eu não sabia que a Barra existia e por isso não odiava a Barra. Só por isso. Na época eu sabia que os Menudos existiam, serve?
Bom, saí andando pelas ruas do meu condomínio e do condomínio ao lado, o town houses. Tudo aqui tem nome assim e eu também não vou me deter nesse tipo de observação. Me senti naquele filme do Danny Boyle, que tem um nome horrível em português: extermínio, ou qualquer outra proparaxítona que não diga nada, estando sozinha em nome de filme.
Ninguém. Nada.
Carros estacionados, muitos mesmo. Toda a frente de todas as casas completamente ocupadas por carros. Afinal, é o carro do pai, da mãe e um para cada filho, ou um carro só para os filhos dividirem. Mas sem pessoas. Eu avançava pelas ruas e via casas, carros, montes de areia na frente das casas que estão em obra. Pessoas, quase nada.
Vi os seguranças do condomínio, e vi um caseiro lavando um carro. Vi um menino passeando com um pitbull, e outro menino passeando com outro cachorro. Vi um casal bem novinho discutindo com cara de cu e fiquei pensando que mesmo de shortinho e top, o menino não ia olhar para mim pq uma mulher de 24 anos já não tem o corpo de uma de 17, que devia ser a idade da namorada dele. E ele não olhou mesmo.
E não vi mais ninguém.
Aqui onde eu moro as pessoas trabalham para comprar casas que deixam nas mãos dos caseiros. Para terem carros que os caseiros lavam e os motoristas dirigem. Para comprarem cachorros que os caseiros levam para passear. Para terem filhos que as empregadas criam.
E nessas horas eu me convenço de que as minhas idéias devem estar muito erradas. No mínimo, tem alguma coisa nesse way of life que eu ainda não entendi.
Outubro 9th, 2003 at 2:10 am
eu olharia voce de shortinho e top
Setembro 25th, 2003 at 2:48 pm
Acho que a barbara está fazendo docinho ou então já encontrou o lado negro dos blogs.
Setembro 24th, 2003 at 11:19 am
que que houve? greve de textos novos????
Ei, atualiza o blogue aê!!
Setembro 23rd, 2003 at 6:25 pm
Obrigado pela luz!
Setembro 22nd, 2003 at 10:45 am
é o casamento. Só pode ser. O casamento faz com que vc queira um lugar "calmo" para criar seus filhos… Eu e vc crescemos em lugares calmos (afinal, o que é Jacarepaguá a não ser uma continuação pobre da Barra?) e agora queremos nos livrar de tudo isso. Mas também não estamos pensando em casar e ter filhos. Talvez a gente mude o modo de pensar se um dia, por algum milagre da vida, tivermos nossas crias…