:: it’s a brand new day afinal! ::
a história sempre se repete, e não é como farsa:
O dia começa, eu acordo, com sono e me consolo pensando que vou dormir no caminho para o trabalho. Afinal, levo uma hora e meia para chegar no centro, sacolejando numa van. O que dá para dormir e sonhar perfeitamente. Já fazem vários anos que eu dominei a arte de não babar em transportes coletivos. Vou até o ponto de ônibus (vans param em pontos de ônibus, mas nem por isso eles passarão a ser chamados de pontos-de-ônibus-e-van-e-piratas-e-frescões-e-às-vezes-taxis-também-quando-vc-se-dá-conta-de-que-está-realmente-atrasada)
No caminho para o ponto, flores se abrem pelas plantas do caminho, o que me faz espirrrar e meu nariz coçar, mas oquei, não vou ficar puta pq flores e polén coçando o nariz são uma coisa fofa. Colocaram isso na minha cabeça e eu aceitei.
Rio de tudo o que ouço, coisas como:
- Ela vai fazer a apelação sim… Pois é. Ela me ligou ontem, chorando, mas eu não fiz nada. Fingi que não estava percebendo.
Som de banco extra (aquele que fica no canto - montável e desmontável - e atrapalha a passagem para a parte de trás da van) rangendo. Rangendo em diferentes tons, o suficiente para o cérebro não conseguir apagar a freqüência. Digo. Cérebros normais. O meu cérebro ignora certos ruídos, ignorava até mesmo o sinal de “fim do recreio” na época da escola! Eu só subia porque via o pátio subitamente vazio, e meus amigos, que não tinham o mesmo poder ninja, ouviam o sinal.
Hoje em dia meu cérebro ignora latidos e uivos de cachorros carentes e/ou doentes mentais da rua josué de castro. A merda é quando um cachorro novo se muda para lá e meu cérebro tem que ser adestrado à nova frequência. (por que adestrar meu cérrebro e não adestrar a porra dos cachorros? fica a pergunta)
Enfim. Fim de van, venho andando para o trabalho, dou bons dias sinceros, estou feliz, “nossa, que legal, vários problemas a serem resolvidos, várias coisas para fazer, algumas legais e outra chatas das quais eu posso realmente me livrar. Posso também ligar para a Rafaela que faz aniversário hoje”. Ela fica feliz e diz que eu sou fofa.
Ahhhhh!!! Esse é o ponto. Eu sou fofa. A essa hora do dia o dia é bom. É impressionante como esse potencial de fofura vai se transformar enquanto as horas passam. Preciso descobrir uma maneira de cortar meus dias em dois. Se todos os meus dias fossem apenas a primeira metade do dia, a parte desintoxicada na qual eu ainda não me tornei uma pimenteira-vítima-do-olhar-de-seca-pimenteira, eu seria uma fofa em tempo integral. Uma fofa irônica, tentando fazer boas piadas, nem sempre conseguindo, mas fofa.
Imagine que lindo: fim de dia. Começa a tarde. O (h)odômetro zerou (eu não tenho carro, por isso não sei escrever (h)odômetro. Péssima justificativa. Eu sei escrever hebdomadário e cornucópia - que nunca tive). Everyday is a brand new day.
Deus, me dê a possibilidade de zerar meu (h)odômetro! Me dê a chance de ser uma pimenteira longe do olhar de seca-pimenteira.
Agosto 24th, 2003 at 8:44 pm
O que é uma pimenteira? É para colocar pimenta?
Se for isso, o que seca-pimenteira representa?
Seu que podia ir olhar no dicionário, mas achei que perguntando aqui ia ser mais divertido. Afinal a idéia do Blog é essa né?