Always look at the bright side…
Queria escrever sobre alguma coisa feliz, porque esse blogue anda meio para baixo, mas admito que tenho pensado muito em violência urbana, em pessoas irritantes, em engarrafamentos, no pouco tempo que tenho ficado em casa. Mas hoje tem uma coisa boa acontecendo: consegui organizar as minhas obrigações para trabalhar em casa. Acordei com um temporal caindo e não precisei sair! Coloquei um moletom, uma papete com meia vermelha e comecei a trabalhar.
É claro que tudo de bom tem um lado ruim, como percebeu Poliana depois de crescer: nossa felicidade deixa claro que nem todos têm a mesma sorte (eu li os dois “Poliana”, admito, e lembro bem dessa parte: é a hora que ela descobre que o seu jogo do contente é um fracasso em termos globais). Logo, se eu tou em casa no conforto e feliz, uma galera pegou um mega engarrafamento para ir para o escritório.
Mas eu ia falar de coisas felizes, lembra? Pois bem, estou aqui, feliz, curtindo meu silêncio e minha paz. O trabalho rende bem mais assim.
Melhor ainda? Em dia de chuva as obras dos prédios aqui do lado ficam paradas. Portanto, nada de serra circular, de betoneiras, de marteladas. A vida é bela às vezes, mesmo com (ou por causa de) o céu cinza e a chuva caindo!
maio 24th, 2006 at 2:10 pm
Cada um tem um caminho pra trilhar. Se o cara tá na luta, mesmo sendo terrível o tal caminho, não precisa da sua preocupação. Se não, ela fica chorando no cantinho, nem merece atenção. Nem o caminho das pessoas nem o que elas fazem é da conta (ou culpa) de ninguém.
Pensa no quanto você trabalhou, nas vezes em que por um triz você poderia estar em outro caminho, nos sacrifícios que teve que fazer, faz ou planeja fazer até o fim da sua vida.
Automaticamente você para de pensar nos outros e fica orgulhoso de ser quem você é.
maio 24th, 2006 at 3:30 pm
Você se engana quando diz que é o blogue que anda meio para baixo.
O mundo inteiro anda para baixo. Eu abro a janela e vejo o mesmo mundo que você e o resto do mundo vê. E eu não gosto do que vejo, mas é a realidade!
O pior é se isolar. Respeito o comentário de Lefebvre, mas aquilo ali é Adam Smith até as últimas consequencias. A teoria liberal de que cada um buscando o melhor para si próprio, traz o melhor resultado para o corpo coletivo, já está mais do que provado que não funciona! O individualismo é o pior caminho.
maio 24th, 2006 at 3:50 pm
Trabalhar em casa comanda. Só que nem todo mundo entende que você está em casa mas está trabalhando. Mas não reclamo, isso vem com o tempo mesmo.
maio 24th, 2006 at 5:26 pm
Ah, Barbs, o jogo do contente é pra ser egoísta! Se eu fosse você, ia pensar assim: Eu to aqui no quentinho e tem um monte de gente indo trabalhar no engarrafamento - rá rá! Suckers!
maio 24th, 2006 at 7:50 pm
Ah, Paulo Henrique, fica quieto enquanto pode.
Eu to falando de ficar em casa, com um moletom, bebendo chocolate quente.
O único corpo coletivo nessa história é aquele que eu não precisei esperar no ponto pra ir pro trabalho.
Gente deendendo ideologia no café-da-manhã tira todo o tesão da vida.
Deixa de ser ranzinza (esse aí deve trabalhar em escritório).
HEhhehehe
maio 24th, 2006 at 8:23 pm
Comecei a trampar em casa tb… tô curtindo, mesmo não tendo uma Abril que me dar “despesas” e me fazer esperar.
maio 24th, 2006 at 10:00 pm
hahahahahahaha
O lance que eu penso é o seguinte, Lefebvre:
Hj nós estamos confortaveis e nos divertindo pensando nos outros seres que estão naquela vidinha cotidiana de trabalhador médio!
O problema é que esse cenário vai se invertendo e no outro dia enquanto você tah na labuta, tem um cara em casa se divertindo com a tua desgraça.
Sem contar na meia duzia de filhas da puta que não precisam se preocupar com essas desventuras cotidianas de quem precisa trabalhar pra sobreviver.
É o esfarrapado se divertindo com as desgraças dos miseraveis. É uma competição onde todo mundo se fode!
Me achar o cara mais afortunado do mundo pq estou no aconchego do lar tomando um toddy? Não é tudo uma questão de tempo até as coisas voltarem a programação “normal”? É só um tempo concedido para podermos pegar um folego!
(e acredite se quiser.. eu não sou ranzinza e nem passo por esses perrengues de escritório)
maio 25th, 2006 at 10:53 am
Pois é… Eu faço parte do grupo dos não tão afortunados assim, que precisam seguir pela Avenida Brasil até chegar ao trabalho, na passarela 6. Uma tristeza, realmente.
maio 25th, 2006 at 6:19 pm
Mas Paulo Henrique…
Eu não estou me “divertindo com a cara de quem está na labuta”. Nem disse pra ninguém fazê-lo.
Onde é que afirmei isso?
Muito pelo contrário, falei para ter um sentimento de orgulho para aquele cara que, apesar de tudo, está lá, dando um duro danado, apesar dos pesares. Apenas disse que não precisa ter pena desse cara.
Quem luta para ter o que tem, mesmo que seja pouco, não gosta que sintam pena dele.
Agora, a diferença entre “não sentir pena” e “zombar da cara do trabalhador” é imensa.
Eu adoraria saber qual foi o seu raciocínio, que saiu da minha afirmação de que não precisa ter pena com o pessoal que está trabalhando duro até zombar da cara dele.
maio 27th, 2006 at 11:02 am
[...] Outro dia vi o texto da Baxt sobre as coisas boas e ruins de se trabalhar em casa (moletom é um top, definitivamente) e ficamos um bom tempo trocando idéias sobre o assunto no GTalk. Eu adoro trabalhar em casa e com minha filha vindo aí acho que vai ser mais sensacional ainda estar bem de perto vendo seu crescimento. O problema é que o resto do mundo à minha volta ainda precisa aprender como é trabalhar em casa, ou como é se relacionar com uma pessoa que trabalha em casa. Diálogo não-tão-fictício-assim: [...]