Vou mudar o discurso dessa vez
Esse ano não vou dizer que o dia das mulheres é uma esmola, uma piada. Não vou dizer que o fato de haver um dia das mulheres simplesmente confirma a piada que diz que os outros 364 são “do homem”. Não que eu tenha mudado de idéia, mas fica chato falar a mesma coisa todo ano, né? :o) (se quiser, veja o discurso antigo em 2004)
Hoje vou falar efetivamente das “conquistas femininas” (por mais que estes termos me dêem arrepios, por me lembrar mulheres amargas, com pernas cabeludas e nem um pouco felizes com sua condição de mulheres - condição que tem vantagens e desvantagens como tudo na vida).
Li em algum lugar que a igualdade (vamos usar a palavra “equivalência”, porque eu não acredito nessa suposta igualdade) feminina é muito maior no mercado de trabalho do que em casa. Em outras palavras: em público, se as mulheres ainda não são equivalentes aos homens, estão muito mais perto disso do que na vida particular.
Estou falando do Brasil, é claro. Não posso falar da Suécia nem de Botswana, porque nunca estive lá. Por aqui, mulheres têm bons cargos, apesar de ainda ganharem menos. Mulheres são chefes de homens sem que isto seja um drama. Mas pedir para o chefe para sair mais cedo para levar o filho ao pediatra é tarefa da mãe. O pai que fizer isso automaticamente passa a ser visto como uma exceção, um paizão ma-ra-vi-lho-so (experimente fazer isso e eu garanto que suas colegas de escritório vão tentar dar para você).
Tarefas domésticas? A maioria dos homens é treinada, por suas próprias mães, para serem “reizinhos”, e não seres prestativos, que tomam a iniciativa de fazer uma comida no final do dia, mesmo depois de encarar escritório, chefe chato e aquelas coisas todas. Fazer um jantar inesquecível no fim de semana não conta. Estou me referindo às tarefas cotidianas e sem glamour, como tirar a mesa depois de comer sem que ninguém peça ou fazer a lista do supermercado.
Fazer sexo com muita gente ainda pega mal para uma mulher, mas não para um homem. Sabe aquela coisa antiiiiga de “piranha” e “comedor”? É antiga, mas infelizmente não é ultrapassada.
Muitas meninas pegam Aids ou engravidam sem querer porque não têm coragem de impor o uso da camisinha na hora da transa. Camisinha não é decisão do homem - as mulheres têm que andar com preservativo na bolsa e encapar o rapaz antes mesmo de ele ter tempo de argumentar. Mas cadê que a mulherada faz isso?
E isso porque eu não falei de mulheres que apanham dos maridos ou homens que acham que ter amantes não tem nada de mais - mas que ser “corno” é um absurdo, que só mulher vagabunda tem outro, etc etc
Para resumir essa ópera toda: igualdade (digo, equivalência) em público é fácil. As mudanças só acontecem de verdade quando se sustentam dentro de quatro paredes, sem ninguém olhando. Aí, minha filha, o buraco é bem mais embaixo.
Março 15th, 2006 at 1:09 am
Barbara, o feminismo ainda não chegou no Brasil. Constatei isso depois que me mudei para a Austrália. Se quiser, pode vir conhecer in loco como é que é.
Março 13th, 2006 at 2:12 am
Olá,
Só vim dizer que citei seu blog em meu último Podcast, mais especificamente este artigo. Obrigado pela inspiração.
Março 10th, 2006 at 8:40 am
Mesmo aqui na Europa mulheres bem-sucedidas ainda ganham menos do que homens na mesma posição, e a tal ‘igualdade’ é bem virtual. E mesmo em culturas menos machistas os problemas existem, só que são diferentes ou menos evidentes.
Concordo que as próprias mulheres perpetuam o sexismo, e não só na criação dos filhos, mas acredito sim que homens e mulheres são intrinsicamente diferentes e não dá pra querer que eles sejam iguais. Direitos iguais, however, é sempre um objetivo a ser alcançado. :)
Março 9th, 2006 at 7:13 pm
Eu ia dizer que quem cria os filhos é a mãe, então quem passa o machismo para eles é mulher, mas a Luma já falou.
Como serei pai-de-menina em alguns meses estava me tocando de como todos os brinquedos e brincadeiras de menina acabam de uma maneira ou outra caindo para o lado mãe/dona-de-casa, equanto os meninos brincam de ser motorista, peão de obra, ferroviário, astronauta, policial… Complicado.
Março 9th, 2006 at 10:25 am
Uma mulher se habilitou como candidata, mas teve que retirar sua candidatura pouco tempo depois por conta de um escândalo, ao meu ver muito mal contado (seu nome: Roseana Sarney). Na minha opinião, pesou mais o fato dela ser uma Sarney do que ela ser uma mulher.
Dito isso, concordo com a Baxt que as diferenças se acentuam fora da vida pública e dentro da subjetividade. Ah sim, se minhas colegas de trabalho fossem mais interessantes eu adotaria a tática de levar o filho (que eu nem tenho) ao pediatra. ;)
Março 9th, 2006 at 10:03 am
Bem, os homens em sua maioria negligencia a educação dos filhos, deixando essa tarefa a cargo das mulheres e são as mães que educam os seus filhos. Resumindo: A mulher é mais machista que o próprio homem.
A mulher cabeluda entra em um instituto de beleza e depila suas pernas em função da opinião de outras mulheres. Claro que existem excessões! Mas a opinião de outra mulher conta muito, logo, por conseguinte, a mulher é a concorrente e inimiga dela mesma. É a mãe que ataca as amigas do marido, as namoradas dos filhos bla bla bla…verdade é que estão todos contaminados, da célula da sociedade ao governo.
Beijus
Março 9th, 2006 at 2:19 am
Ei Baxt,
Só vim aqui prá dizer que li todos os seus posts de 2006 e gostei de suas escrituras mas agora estou meio “jogado pros crocodilos” demais para comentar à altura. De qualquer forma, você ganhou mais um assinante do seu feed. Sempre que houver coisa nova por aqui, estarei antenado. Ma’am.
Março 8th, 2006 at 11:42 pm
Paulo henrique, você levantou um bom ponto. Não se aplica a tudo, mas em alguns dos casos que eu mencionei (como a questão de exigir camisinha e fim de papo), talvez tenha um pouco de submissão da própria mulherada.
Março 8th, 2006 at 11:21 pm
No chile uma mulher quis ser candidata a presidencia e foi eleita.
Aqui no brasil ninguem vai impor barreiras contra uma candidatura feminina, no entanto nenhuma mulher se habilita a tanto!
Na imprensa idem, em eleiçoes nao vejo jornalistas mulheres questionando o pq de nao haver uma representate do seu sexo disputanto as eleiçoes.
Na maioria das novelas, seriados e afins(escritos por mulheres tbm!), o grande executivo ou o presidente sempre eh um homem.
Na área do direito vemos juizas julgando com preconceitos machistas para conseguir cargos de desembargadoras.
Do mesmo jeito que a mulher tem total independencia e liberdade de se impor nesses fatos banais que citasse no post. Considero que tenham liberdade tbm para procurar seu espaço no poder que hj está realmente dominado pela mentalidade machista, tanto de homens como de mulheres.
Ou a mulher não quer mudar ou qdo pode acaba se rendendo.